quinta-feira, 23 de maio de 2024

ANDORINHAS

As andorinhas voando pelo relevo alvo e já desenhado pelos beijos que saciavam os nossos corpos.  Eu não sabia que ainda podia sentir encanto. Desconhecia a minha capacidade de sonhar qualquer sonho em cumplicidade. Hoje eu ainda impactado pelos momentos não calculados que vivi, sinto que o caos ainda é o maestro maior sobre tudo aquilo que está vivo.

O plano é assumir uma nova identidade social. Estar presente e viver o presente em uma nova vida que se deita a minha frente. Matematicamente arquitetada, a estrada que me trouxe aqui, chegou no seu momento derradeiro, dispensando tudo o que um dia foi pensado, assumindo uma nova postura, onde o importante já não é o objetivo, dando espaço ao trajeto para contribuir na história ainda sendo escrita.

Qual o tamanho da arrogância daquele ser que acredita, ou melhor, que sabe afirmar o rumo de seu destino? Quanto vale a cena onde este mesmo ser se depara com a sua própria soberba, lhe entregando as próximas páginas em branco de sua própria vida. Seria este o seu maior descuido como estrategista ou apenas mais uma lição da vida, sempre surpreendente? O que importa não é o amanhã. Não é o que se desenha em sua frente, abrindo margem para novos sonhos e novos planos. O que importa é a oportunidade de viver e sentir o momento que já se passou. Apesar de ter invadido preceitos e conceitos firmados como verdadeiros.

Mesmo sendo o contrário do planejado, nunca me foi oferecido uma vida de planos por apenas seguir um caminho. As surpresas sempre foram presentes no passado, e por que não também no futuro que se apresenta hoje? 

A minha felicidade, acreditei ser completa. A minha alegria, agora tão aberta a mais, compartilha felicidade por ser assim.

Não espero nada do mundo e não dependo dos meus sentimentos para ser feliz amanhã. 

Eu sinto o agora e planto o que desejo viver depois. Sigo pela vida a fora como se não fosse mais poder viver. Posso viver aqui e posso me ver aqui, neste sentimento de igualdade.

Sentir algo novo e ser o mesmo eu. Ser livre e entregar se mesmo assim. Queria me dizer que posso sim, ser mais que apenas eu. Afirmo que não me proíbo sentir e que não mais evito dizer que sim. Se um dia eu me vi satisfeito, hoje eu quero mais. Se o mundo parecia tão gelado, de dentro pra fora eu me vi derreter. Eu posso congelar o tempo e posso tentar esquecer. Posso até ser eu mesmo e dessas palavras eu desaparecer. Mas por que?


MVMB - 18/05/24

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